Identidade e território: o que o cinema recente mostra?

osage

Ernest (Leonardo Di Caprio) e Mollie (Lily Gladstone) em Assassinos da Lua das Flores

 

 

Indígenas acossados por madeireiros na Amazônia, o extermínio de um povo depois da descoberta de petróleo no interior dos Estados Unidos, a relação do nordestino com a seca e a violência contra os povos originários do Chile são panos de fundo desta seleção de filmes da CLIMÁTICA. Neles, um ponto em comum: como a identidade e o direito à terra são constantemente ameaçados.

 

 

Assassinos da Lua das Flores (2023)

 

Os assassinatos de indígenas da etnia osage em Oklahoma, nos Estados Unidos são um dos primeiros casos investigados pela agência que viria a ser conhecida como FBI. O longa de Martin Scorsese indicado a dez Oscars se passa nos anos 1920 e revela como os osage viraram alvo fácil depois da descoberta de petróleo em suas terras. Antes de filmar, Scorsese se encontrou com o líder osage Geoffrey Standing Bear para falar sobre o filme. Geoffrey queria saber de que forma a história do povo indígena seria contada e, por fim, aprovou a ideia. Disponível na Netflix, no Google Play, no YouTube e na Apple TV.

 

 

 

Os Colonos (2023)

 

Segundo é um mestiço chileno que guia um tenente inglês e um mercenário americano pelo arquipélago da Terra do Fogo a mando de um rico proprietário de terras. Ao longo da viagem, Segundo percebe que o objetivo da expedição é exterminar a população indígena da região. O western revisionista dirigido por Felipe Gávez avalia a criação dos mitos nacionais e a violência contra os povos originários do Chile. Disponível no Mubi.

 

 

 

O Território (2022)

 

Desde o primeiro contato com os brancos, o povo indígena Uru-eu-wau-wau viu sua população diminuir e sua cultura ser ameaçada. Apesar de terem o direito da autonomia na floresta amazônica, enfrentam a invasão ilegal para extração de madeira e mineração. O documentário de Alex Pritz mostra como jovens líderes indígenas e ativistas ambientais arriscam suas vidas para defender a floresta, montando sua própria equipe de mídia independente para denunciar e se defender. Disponível no Disney +.

 

 

 

Bacurau (2019)

 

Um povoado no interior de Pernambuco descobre que não está mais no mapa. Aos poucos, coisas estranhas vão acontecendo até que a comunidade começa a ser atacada e precisa encontrar uma estratégia de defesa contra o inimigo. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles substitui o realismo por alegorias e monta um faroeste moderno no sertão profundo.

 

 

 

 

Chuva é cantoria na aldeia dos mortos (2019)

 

O longa de João Salaviza e Reneé Nader Messora conta a história de Injãc, um jovem da etnia Krahô que mora na aldeia Pedra Branca, no Tocantins. Depois da morte do seu pai, Injãc se recusa a se tornar xamã e foge para a cidade, descobrindo um novo mundo. A coprodução entre Brasil e Portugal levou o Prêmio Especial do Júri na programação Um Certo Olhar do Festival de Cannes em 2018. Disponível no Mubi.

 

 

 

Ex-Pajé (2018)

 

No documentário dirigido por Luiz Bolognesi, um pajé começa a questionar sua fé depois de entrar em contato com missionários cristãos que alegam que sua religião é demoníaca. O filme explora temas como os conflitos entre tradição e modernidade, a influência das religiões ocidentais nas comunidades indígenas e a perda de conhecimentos tradicionais.

 

Documentário e ficção se confundem revelando a relação intrincada entre os indígenas e a floresta amazônica e mostrando como a degradação ambiental afeta diretamente suas vidas e crenças. Disponível na Netflix, no Google Play, no YouTube e na Apple TV.

 

 

 

Doce país (2017)

 

O longa de Warwick Thornton conta uma história de racismo e injustiça contra os povos originários da Austrália nos anos 1920. No filme, o aborígine Sam é designado a ajudar na mudança de um veterano de guerra, mas acaba matando o militar em legítima defesa. Perseguidos pelo outback, ele e sua esposa Lizzie fogem pelo deserto. Disponível no Mubi.

 

 

 

Martírio (2017)

 

A grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul é narrada no documentário dirigido por Vincent Carelli, que registrou o início do movimento na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado por relatos de sucessivos massacres, Carelli retorna para buscar as origens do genocídio, um conflito de forças desproporcionais: os Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio. Disponível no Vimeo.

 

 

Timbuktu (2014)

 

O longa dirigido por Abderrahmane Sissako é uma coprodução da França e da Mauritânia e foi o mais premiado com o Cesar 2015, prêmio francês equivalente ao Oscar. Costurado por pequenas histórias, o filme mostra o cotidiano da população da cidade homônima do Mali, ex-colônia francesa no oeste da África, que se vê acuada e amedrontada pelas restrições e punições impostas pelos fundamentalistas islâmicos do grupo Ansar Dine.

 

 

Aperreio (2010)

 

No documentário de Humberto Capucci e Doty Luz, são contadas as histórias de localidades do Maranhão que sofrem com enchentes e cheias enquanto outras têm que lidar com a seca intensa. O termo “aperreio” é sinônimo de agonia, de uma situação complicada, e se aplica aos cenários percorridos pela câmera que denuncia os efeitos das mudanças climáticas sobretudo nas populações economicamente mais vulneráveis do país. Disponível no YouTube.

 

 

 

 

 

 

 

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