Remake de Renascer se adequa a pautas ambientais

marcos palmeira

Na versão original da novela Renascer, em 1993, o protagonista José Inocêncio (Leonardo Brício) finca seu destino no Sul da Bahia nos anos 1960, quando se apossa de terras aparentemente sem dono e sobrevive a tocaias e disputas territoriais. Passadas três décadas, o grileiro José Inocêncio (Antônio Fagundes) é um fazendeiro poderoso que vê seu império ameaçado pela praga da vassoura de bruxa.

 

Exibido em 2024 no mesmo horário nobre da Globo, o remake do clássico de Benedito Ruy Barbosa avança três décadas nas duas fases: a primeira acontece nos anos 1990, quando o jovem protagonista (Humberto Carrão) compra suas terras da viúva Cândida (Maria Fernanda Cândido). Personagem que não existia na versão original, Cândida não sabe como combater a vassoura de bruxa e sofre constantes ameaças de coronéis e atravessadores. Nesse contexto, José Inocêncio aparece com ideias inovadoras e “ecológicas” e acaba sendo o benfeitor que ela precisava para construir sua vida noutro lugar.

 

A segunda fase do remake de Renascer ocorre tempo atual, com um José Inocêncio (Marcos Palmeira) preocupado com o desenvolvimento sustentável e defensor da agroecologia. Bruno Luperi, autor do novo texto e neto de Benedito Ruy Barbosa, explica que “o cenário mudou muito em 30 anos. Isso implica um José Inocêncio repaginado, uma nova consciência”. 

 

Neste mês, a BBC publicou uma matéria mostrando quem é o fazendeiro que inspirou o José Inocêncio moderno de Bruno Luperi. O suíço Ernst Götsch é o criador da chamada “agricultura sintrópica”, na qual a produção de alimentos e a regeneração florestal se combinam. O ator que vive José Inocêncio é outro defensor da causa ambiental. Marcos Palmeira é dono da Fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis (RJ), onde administra uma produção 100% orgânica e sustentável focada na produção de leite, queijos, iogurtes e hortaliças. 

 

Em entrevista ao Globo Rural em 2017, Ernst Götsch conta porque não mexe em 500 hectares de mata preservada em sua fazenda no Sul da Bahia. “Não é o meu negócio, porque eu vivo de outras coisas. E depois enquanto tem tão pouca floresta nesse país, e as florestas diminuindo cada dia, eu não tenho necessidade. Então… Um refresco, sim. Talvez pagar dívida ecológica da tribo. Da tribo, digo, da raça, o ser humano”.

 

 

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